quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Nova Iorque

Hillary Clinton.

Vitória para Hillary no Massachusetts

É uma vitória importante para Hillary Clinton. O resultado é muito mais significativo em termos de percepção do que na contagem de delegados, que ainda pode favorecer Obama. Hillary esteve sempre à frente nas sondagens do Massachusetts, mas na última semana Obama contou com apoios de peso que puseram em causa o favoritismo da senadora — e assim não é de estranhar que a sua campanha já esteja a classificar o resultado como uma grande surpresa. No final, o governador, John Kerry e a influente família Kennedy não conseguiram vencer o sistema.

Alabama

Com apenas 10 por cento dos votos contados, Mike Huckabee é dado como o vencedor no lado republicano.

Tennessee

Vai para Hillary Clinton como se esperava.

Arkansas

Esta era dada: ganham Mike Huckabee e Hillary Clinton, respectivamente antigo governador e antiga Primeira-Dama.

Nenhuma surpresa nas primeiras projecções

Nos estados onde já fecharam as urnas e cujos resultados não estão "too close to call", nenhuma surpresa: Barack Obama ganha o Illinois e a Georgia, Hillary Clinton o Oklahoma, John McCain a Nova Jérsia, o Connecticut e o Illinois. A jogar em casa, Mitt Romney vence no Massachusetts.


ps ainda falta muito; pede-se paciência para alguns problemas informáticos

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Tricia Nixon Cox


Tricia Nixon Cox foi a directora de campanha de John McCain em Nova Iorque. A filha do antigo Presidente Richard Nixon, que casou na Casa Branca e participou activamente na Administração do seu pai, leva uma vida relativamente privada. E hoje lá estava, ao lado do senador do Arizona, no povoadíssimo palco que em plena Rockefeller Plaza comprovava como, afinal, o establishment republicano gosta de bons rebeldes...

Huckabee fica com os primeiros delegados

No realinhamento dos 1100 delegados presentes na convenção republicana de West Virginia, Mike Huckabee emergiu como o primeiro vencedor da noite. O antigo governador do Arkansas beneficiou de uma manobra estratégica dos apoiantes de John McCain, que no final da primeira contagem tinham conseguido à justa a sua candidatura (o sistema funciona exactamente como um caucus, sendo necessário que cada campanha garanta pelo menos 15 por cento dos votos dos participantes): à segunda contagem, estes eleitores transferiram-se para o grupo de Huckabee, que conseguiu assim bater Mitt Romney e arrecadar os 18 delegados que em Setembro viajarão desde o estado de West Virginia até Minneapolis para a convenção nacional dos republicanos.

Supertuesday: os principais campos de batalha

Quase metade da América vai hoje a votos. Eis a situação nos "campos de batalha" mais decisivos:

Califórnia

Quem é esta gente?

A Califórnia é o mais populoso dos Estados Unidos (36,5 milhões de habitantes), e um dos mais diversos demograficamente. Tem de tudo - negros, hispânicos, asiáticos, ricos e pobres, estrelas de Hollywood e magnatas de Silicon Valley (e sim, uma comunidade lusodescendente bastante grande).

A corrida republicana

Num estado "azul", e com muitos hispânicos, McCain parece ter vantagens - incluindo o apoio do "Governator". Mas Romney investiu imenso dinheiro neste estado.

A corrida democrata

Hillary Clinton partiu à frente, e está a contar com o apoio da muito numerosa comunidade hispânica; mas Obama fez da Califórnia uma prioridade de campanha e, devido às regras de distribuição de delegados, não é provável que haja aqui um vencedor destacado.

O que dizem as sondagens

McCain à frente entre os republicanos; um "empate virtual" entre os democratas.

"Tri-state area"

Quem é esta gente?

A "tri-state area" é, grosso-modo, a Grande Nova Iorque; inclui os estados de Nova Iorque, Connecticut e New Jersey. É uma zona muito populosa (ao todo, perto de 40 milhões de pessoas), que tende a votar democrata e muito multicultural; divide-se entre a zona urbana de Nova Iorque, os subúrbios abastados do Connecticut e de New Jersey (há uma grande comunidade lusodescendente na zona de Newark/ Elizabeth), e a área mais rural do estado de Nova Iorque.

A corrida republicana

McCain é favoritíssimo. A "tri-state area" não tem muitos dos cristãos conservadores que fazem os eleitorados de Romney ou Huckabee; e era o "feudo" de Rudy Giuliani, o "mayor da América" que apoia McCain. No Connecticut, McCain tem ainda o apoio do senador independente (ex-democrata) Joe Lieberman.

A corrida democrata

Hillary Clinton é uma (muito popular) senadora por Nova Iorque; joga em casa na Tri-state area, e conta com o apoio da maior parte do "establishment" local. Mas, sobretudo na cidade de Nova Iorque, a mensagem de Obama tem tido muita repercussão.

O que dizem as sondagens

McCain muito à frente entre republicanos; Hillary à frente nos democratas, mas com Obama a aproximar-se.

Sul

Quem é esta gente?

Entre os estados do Sul que vão a votos hoje, destaque para a Georgia; também votam Tennesse, Arkansas e Alabama. São todos estados "vermelhos", com populações negras significativas, e muita importância da direita religiosa.

A corrida republicana

Este é o território onde Mike Huckabee (ex-governador do Arkansas) aposta tudo-por-tudo para manter a sua candidatura. A preponderância dos cristãos evangelistas favorece-o - mas esse é um eleitorado também disputado por Mitt Romney.

A corrida democrata

Hillary tem a seu favor o marido Bill - um sulista de gema, nascido no Arkansas. Mas a população negra será crucial nas eleições democratas no Sul, e aí Obama tem prevalecido.

O que dizem as sondagens

Corrida a três (Huckabee-Romney-McCain) entre os republicanos; Obama na frente entre os democratas.

Illinois

Quem é esta gente?

O estado de Lincoln, divide-se entre populações urbanas da "Chicagoland" e cidades universitárias como Champaign e áreas rurais (normalmente mais conservadoras). Votou democrata em 2000 e 2004.

A corrida republicana

McCain parece beneficiar de algum favoritismo; Romney não investiu muito neste estado.

A corrida democrata

Hillary Clinton praticamente "desistiu" deste estado - Obama é senador pelo Illinois. Ironia das ironias: Obama é senador do Illinois, mas nasceu no Havai; Hillary é senadora por Nova Iorque mas nasceu... em Park Ridge, um subúrbio de Chicago!

O que dizem as sondagens

McCain e Obama à frente por margens alargadas.

Missouri

Quem é esta gente?

O Missouri é considerado um "estado pêndulo" nas eleições americanas: nos últimos 100 anos, o vencedor no Missouri foi sempre o vencedor das presidenciais (com uma excepção - 1956). É também considerado um micro-cosmos da América porque, geográfica e culturalmente, tanto pertence ao Midwest como ao Sul e, em termos socioeconómicos, também reflecte bem o resto do país.

A corrida republicana

Os três candidatos principais investiram muito aqui - sobretudo Romney. Mas a primária republicana é "aberta" - ou seja, eleitores "independentes" podem votar, o que poderá beneficiar McCain; e Huckabee pode também ter um papel a jogar (o Missouri faz fronteira com o Arkansas).

A corrida democrata

Num estado "vermelho" com uma população negra assinalável, Obama apostou forte; a campanha Clinton tem-se concentrado mais nos estados maiores (embora o Missouri, com os seus 5,8 milhões de habitantes, tenha uma população significativa).

O que dizem as sondagens

Tudo empatado - entre McCain, Romney e Huckabee, e entre Hillary e Obama.

Massachusetts

Quem é esta gente?

O maior estado da Nova Inglaterra é a terra dos Kennedy; é um estado rico, considerado dos mais "liberais" (isto é, "esquerdistas") da América. Tem, nas zonas de Fall River/New Bedford, uma grande comunidade de lusodescendentes. Os seus habitantes devem estar hoje de muito mau humor - a equipa local, os New England Patriots, foi surpreendentemente derrotada no Super Bowl de domingo.

A corrida republicana

Mitt Romney foi governador do Massachusetts até ao ano passado - mas John McCain investiu a sério neste estado.

A corrida democrata

Hillary Clinton partiu muito à frente - mas Obama recebeu o apoio de boa parte do clã Kennedy (incluindo o influente senador Ted) e do outro senador do estado, John Kerry (candidato derrotado em 2004).

O que dizem as sondagens

Romney e Hillary à frente com margens razoavelmente grandes.

O primeiro resultado

Na primeira ronda de votos na convenção republicana de West Virginia, Mitt Romney teve 41 por cento dos votos, Mike Huckabee 33 por cento e John McCain 15 por cento. Ron Paul foi eliminado. A segunda contagem segue dentro de momentos.

Supertuesday: o que acontece hoje

Então é esta noite a maior super-terça-feira de sempre. Votam muitos estados, com regras muito diferentes.

A situação é muito complexa, é extremamente difícil prever um vencedor. Num artigo posterior, olharemos para a situação nos principais "campos de batalha", mas antes três notas sobre as regras de distribuição de delegados:

"Winner takes all" vs. distribuição proporcional

Em muitos dos 21 estados onde há eleições no Partido Republicano, a regra é "winner takes all"; isto é, o candidato que tenha mais votos, nem que seja apenas mais um, ganha todos os delegados desse estado. Há algumas excepções - no Tennesse, por exemplo, só se aplica a regra "winner takes all" se o vencedor tiver pelo menos dois terços dos votos, caso contrário a distribuição dos delegados será proporcional.

Nas eleições democratas, as regras são mais complexas. Em todos os 23 estados onde haverá escrutínios, aplicam-se regras de proporcionalidade. No entanto, essa proporcionalidade não é simples - é calculada dentro de cada círculo eleitoral.

Por exemplo: a Califórnia elege 370 delegados. Esses delegados não serão distribuídos de acordo com a votação geral no estado; serão atribuídos de acordo com as votações em cada um dos seus 53 "congressional districts".

Ou seja: não há na Califórnia uma única eleição, mas sim 53 mini-eleições (no caso específico da Califórnia, quem ganhar a nível estadual tem um "bónus" de 11 delegados). É teoricamente possível um candidato ter uma maioria dos votos a nível estadual, mas acabar por eleger menos delegados se a sua votação estiver menos bem distribuída que a do adversário. Essa, aliás, foi a situação que ocorreu no Nevada - Hillary Clinton teve mais votos a nível global, mas Barack Obama conseguiu eleger mais um delegado.

O bónus Bush

Todos os estados elegem uma quantidade de delegados proporcional à sua população - o que significa que os resultados da Califórnia ou de Nova Iorque são muito mais importantes que, por exemplo, os do Alaska ou do Montana.

Mas, do lado republicano, não é bem assim. Há um "bónus Bush" que premeia os estados onde, nas presidenciais de 2004, o candidato republicano ganhou. Isto é: o Missouri tem 5,8 milhões de habitantes, New Jersey tem 8,5 milhões de cidadãos. Mas, como o Missouri foi em 2004 um "estado vermelho" (votou Bush) e New Jersey um estado "azul" (votou Kerry), o Missouri tem direito a 58 delegados na convenção republicana, e New Jersey a apenas 52.

Primárias/"caucuses", aberto/fechado

As contas ainda se complicam mais considerando que alguns estados votam em primárias (eleições "normais"), outros em "caucuses". E, em alguns estados, as eleições são "fechadas" (isto é, só podem votar nas eleições de um partido eleitores recenseados como pertencentes a esse partido), outras são "abertas" ou "semi-abertas" (ou seja, podem votar também "independentes" ou até eleitores recenseados como pertencentes a outro partido).

Presidenciais americanas nos blogues portugueses

Um registo do que se vai dizendo na blogosfera portuguesa sobre a corrida às presidenciais americanas.

Abrupto, José Pacheco Pereira

Uma parte da nossa direita e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem.



Corta-fitas, Francisco Almeida Leite

John McCain está só à espera que o Obama e a Hillary decidam aquilo entre eles... Depois, a disputa já não é a feijões. Se Obama arrumar a sra. Clinton, coisa que se espera que aconteça, será interessante ver como é que um Homem de 71 anos arruma um "jovem" de 47. Does age matter?


O Insurgente, André Abrantes Amaral

[A campanha de Obama é] uma das mais bem sucedidas da história, precisamente, por ter conseguido "vender" na perfeição a imagem do homem certo, no lugar certo, no tempo certo. Tão acertadamente certo que é unanimemente aceite que, se não for agora, depois já será tarde. Que é agora ou nunca.


Despertar da Mente, Jorge Assunção

Nos Estados Unidos o cidadão comum envolve-se na politica (o último debate entre Clinton e Obama parecia um jogo de futebol), em Portugal não. Nos EUA há voluntários a trabalhar para este ou para aquele candidato, em Portugal há juventudes partidárias.


Eleições Americanas de 2008, Nuno Gouveia

Hoje é um dia histórico para os Estados Unidos. Pela primeira vez vão a votos mais de 20 estados num só dia nas primárias. É também provável que ocorra outro facto inédito desde a reforma eleitoral de nomeação partidária de 1972: a Super Terça-Feira poderá não decidir nada, especialmente no Partido Democrata.


Geração de 60, Pedro Norton

Barack Obama já mudou a face da política americana e é, seguramente, um dos fenómenos mais fascinantes que apareceu no universo político nos últimos 20 ou 30 anos. (...) É espantoso como tem conseguido (re)transformar a arena política num território fascinante para ser trilhado. É espantoso como tem devolvido uma dignidade imanente à própria arte de fazer política. (...) Em certo sentido, Barack Obama já ganhou. E nesse mesmo sentido, não tenho quaisquer dúvidas, com ele ganhou já a "Democracia na América".

A clivagem escondida nos democratas: esquerda/direita

Nas primárias do lado democrata, muito se tem falado nos pontos de clivagem entre Hillary Clinton e Barack Obama. Fala-se em questões de cor e género; fala-se em questões de idade; fala-se em questões de experiência e "mudança".

Uma clivagem importante tem estado "escondida": esquerda/direita.

Quem está mais à esquerda, Hillary ou Obama? Em termos programáticos, não há uma resposta evidente. Ideologicamente, Hillary e Obama são moderados do centro-esquerda no espectro político americano.

Não é fácil colocar um dos candidatos à esquerda do outro em termos de ideologia ou de propostas políticas; mas, sobretudo nos últimos dias, está a aparecer uma clivagem esquerda/direita entre os dois em termos de apoiantes.

Ou seja: os apoios a Hillary vêm essencialmente dos sectores mais centristas do Partido Democrata ou de organizações do "establishment" do partido. É o caso do apoio da página editorial do New York Times ou da National Organization for Women.

Já Obama recolhe apoios entre "mavericks" democratas como Bill Bradley ou organizações que estão claramente mais à esquerda dentro do partido, como o MoveOn.org.

Enfim, esta não é uma análise aprofundada - os apoios têm sido muito diversificados, não é fácil enquadrar em esquerda/direita figuras como Ted Kennedy (apoia Obama), Robert F. Kennedy Jr. (Clinton), John Kerry (Obama), George McGovern (Clinton), Oprah Winfrey (Obama) ou Walter Mondale (Clinton).

Mas parece haver um movimento no sentido de Hillary Clinton mobilizar as forças mais "centristas" entre os democratas, enquanto Barack Obama está a ser mais o candidato das facções mais "esquerdistas" do partido.

Porque é que esta clivagem não tem sido mais explorada?

Uma explicação é que não convém aos democratas apresentar a imagem de um partido dividido por tendências ideológicas; as diferenças de estilo ou em relação a alguns temas concretos são fáceis de sanar no caminho para a eleição de Novembro. Uma separação de águas esquerda/direita seria mais difícil de reparar.

Outra explicação é que, bem, se calhar essa clivagem esquerda/direita está escondida porque, enfim, não existe. Opiniões?

Super Duper Tsunami Tuesday

É hoje!


ps mais logo, dentro do possível, o blogue vai estar em directo.

Os esquecidos

Na "super-terça-feira" de hoje, a escolha entre democratas e republicanos parece reduzida a opções binárias - Hillary/Obama, McCain/Romney. Mas ainda há outros candidatos na corrida.

A lista total de candidatos à presidência dos EUA, entre os "principais" (Hillary, Obama, McCain, etc), os "secundários" (candidatos dos partidos principais que são figuras públicas conhecidas mas com muito poucas hipóteses de ganhar, como Chris Dodd, Joe Biden, etc.), os "desconhecidos" (candidatos registados na corrida republicana ou democrata, mas sem qualquer expressão a nível nacional ou sequer local) e ainda os de outros partidos que não o republicano ou o democrata, é muito, muito, comprida (inclui, por exemplo, o candidato de um partido que quer reinstituir a proibição de consumir bebidas alcoólicas).

A lista varia de estado para estado - só os candidatos mais relevantes é que conseguem ter o seu nome nos boletins de voto de todos os 50 estados. Por exemplo, eis a lista de candidatos que concorrem na Califórnia, o mais populoso dos Estados Unidos.

Mas, para lá dos candidatos "folclóricos" ou insignificantes, há ainda pelo menos quatro candidatos que vão a votos nesta "super-terça-feira". Três são republicanos, um é democrata; dois deles estão a ser apenas ofuscados pela concentração mediática nos favoritos, os outros estão a ser quase totalmente ignorados. Ei-los:

*Mike Huckabee, republicano

Ainda há um mês era a vedeta da corrida republicana. Tornou-se na sensação das primárias ao vencer no Iowa. No entanto, o seu terceiro lugar na Carolina do Sul tirou muito entusiasmo à sua candidatura: uma derrota clara num estado do Sul, onde o ex-governador do Arkansas, em teoria, teria um eleitorado à sua medida, colocou muitas dúvidas sobre a viabilidade da sua candidatura.

Não é impossível uma "ressurreição" de Huckabee hoje - mas é improvável. Ainda assim, ele deverá ter uma palavra importante na decisão entre McCain e Romney.

*Ron Paul, republicano

O "campeão" da Internet, republicano heterodoxo com ideias muito distintas sobre a guerra e a economia, este congressista do Texas angariou mais dinheiro que alguns candidatos do "establishment". Os seus apoiantes são muito entusiásticos, mas relativamente pouco numerosos. É possível contudo que Paul continue a sua campanha até à convenção republicana.

*Alan Keyes, republicano

É uma figura única na política americana: republicano, negro, ultraconservador. Orador eloquente mas excêntrico, foi candidato à presidência em 1996 e 2000; em 2004, foi candidato ao senado pelo Illinois, onde o seu rival foi... Barack Obama (Keyes perdeu, e revelou mau perder). Nunca chegou a ter votações representativas nas suas campanhas presidenciais, mas em 1996 e 2000 conseguiu pelo menos atrair alguma atenção dos media. Este ano, nem isso.

*Mike Gravel, democrata

Sim, ainda há um democrata na corrida para lá de Obama e Hillary. Gravel (senador pelo Alaska na década de 70), ganhou alguma notoriedade graças às suas intervenção bombásticas nos primeiros debates televisivos. É uma espécie de "Ron Paul democrata" - mas muito menos popular.

Super Tuesday - falta um dia

E logo à noite no canal das mulheres: "The Hillary Clinton Show"!

McCain vs. Talk-shows conservadores

Último dia para os ataques das luminárias do movimento conservador que odeiam John McCain. O senador do Arizona está cada vez mais à frente nas sondagens, e se arrecadar a maioria dos votos na eleição de amanhã pergunto-me se Rush Limbaugh, Laura Ingraham ou Sean Hannity continuarão a arrasar o candidato.

Nova Iorque prepara-se para a parada

É impressionante como os nova-iorquinos, sempre com tantas opiniões sobre tantos assuntos, se resignam à passividade nestas eleições. Primárias?, isso é para reformados que não têm mais que fazer, disseram-me. E o que é mais incrível é que mesmo sem tempo ou vontade de votar, não deixam de estar preocupados com os resultados de amanhã. Quando lhes faço uma pergunta, não se cansam de responder. Mas hoje, contra o seu costume, desviam-se do tema e só me querem falar dos Giants.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Super-terça-feira, super-confusão

Amanhã, os Estados Unidos vão ter a maior "super-terça-feira" de sempre - 23 estados vão a votos, uma fatia enorme do eleitorado é chamada a pronunciar-se. Os candidatos multiplicam-se em esforços para um dia que pode ser crucial para decidir o próximo Presidente.

É no entanto difícil acompanhar todas as variáveis e possibilidades desta "super-terça-feira". Há estados com primárias, outros com "caucuses"; há estados onde votam só democratas, outros só com republicanos, outros com ambos; há estados grandes, e pequenos, e médios; há estados onde os delegados serão distribuídos proporcionalmente, outros onde vigora o sistema "winner takes all"; e, no meio disto tudo, a Samoa Americana também vai votar.

Enfim: esta tabela ajuda a navegar pela "super-confusão", e este quadro é uma listagem mais ou menos exaustiva de como cada estado vai votar.

Porque é que os americanos votam de uma maneira tão complicada nas primárias? A resposta é demasiado longa, mas este artigo do The Nation oferece alguma perspectiva histórica sobre a evolução do lado democrata; ainda no mesmo jornal, um artigo sobre de onde vieram e como funcionam os "superdelegados".

O que toda a gente quer é mudança

Até agora, uma palavra acima de todas as outras simboliza esta campanha presidencial americana: change ("mudança").

Toda a gente quer mudança. Do lado democrata, evidentemente, todos querem uma mudança, qualquer tipo de mudança, que acabe com a era Bush.

Mas "change" é praticamente o lema de Barack Obama, que desde o início da campanha se apresenta como o "candidato da mudança". E essa retórica tornou-se tão popular que Hillary Clinton passou igualmente a incorporar mensagens de mudança no seu discurso.

Mais surpreendente será que os candidatos republicanos também estejam obcecados com a mudança. Mas John McCain promete mudança; e até a campanha de Mitt Romney não se coíbe de usar a palavra.

Enfim, é normal nas campanhas políticas, nos EUA e noutro lado qualquer, que os candidatos prometam mudança. "Vamos manter o statu quo" não dá um bom slogan eleitoral.

Esta campanha americana, contudo, está saturada de "mudança". Até o inimitável Dave Barry o notou nas suas andanças pelo New Hampshire. Talvez seja boa ideia consultar o "mudançómetro".

Super Tuesday - Faltam 2 dias

Os candidatos estão por todo o lado.John McCain teve acções de campanha no Connecticut e Massachusetts. Mitt Romney escolheu um dos condados mais conservadores do Illinois para mais uma vez dizer que a eleição republicana é "uma batalha pela alma e coração do partido". Na Georgia, Mike Huckabee insistiu na relevância da sua candidatura.
Hillary Clinton esteve numa igreja do Missouri, um dos estados "indecisos" do lado dos democratas. Barack Obama reuniu 20 mil pessoas num comício em Wilmington, a capital do Delaware.
Muito mais importante, os New England Patriots e os New York Giants estavam em Glendale, no Arizona, para disputar o jogo final do campeonato de futebol americano.
Eu chego a Nova Iorque e, pela primeira vez, não encontro o mínimo vestígio da eleição que se aproxima. Aqui não se respira no ar aquela antecipação invulgar que se sentia nesses outros lugares subitamente povoados pelas campanhas; só os gestos quotidianos tipicamente apressados desta cidade de oito milhões de habitantes. Olho à volta na sempre iluminada Times Square e não distingo o azul e vermelho típico dos cartazes dos candidatos. Ninguém nesta multidão que passa é daqui, claro, só que estes turistas estão aqui para ver os musicais.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tempos de antena à americana

Um dos aspectos das campanhas políticas americanas que mais costuma impressionar os observadores portugueses é a profusão de publicidade paga nas televisões. Nos EUA não há "tempos de antena" à nossa maneira; se os candidatos quiserem passar a sua mensagem nas televisões, têm de pagar.

Muitos destes anúncios (especialmente os mais negativos) são pagos não pelos próprios candidatos mas por "lobbies" como este ou este. Já houve tentativas de restringir a publicidade política, mas que esbarraram sempre na Constituição americana - a propaganda política é considerada uma vertente da liberdade de expressão, e é por isso difícil estabelecer-lhe limites rígidos.

A Universidade de Stanford está a compilar uma lista de spots publicitários dos candidatos às presidenciais; vale a pena visitar o site, uma colecção exaustiva e com muitos anúncios interessantes - quanto mais não seja, para ter uma ideia do que poderia acontecer se a publicidade paga fosse adoptada em Portugal.

No YouTube, há também uma infindade de anúncios dos candidatos. Eis quatro dos mais recentes. (Note-se a frase no fim em que o candidato diz "o meu nome é Fulano de Tal, e eu aprovei esta mensagem"; esta frase é obrigatória, para distinguir os anúncios "oficiais" pagos pela campanha do candidato dos anúncios pagos por outras organizações).

Barack Obama:



Hillary Clinton:


Mitt Romney:



John McCain:

De novo a idade

Se a corrida presidencial for entre John McCain e Barack Obama, a idade poderá ser um factor: os dois candidatos têm 25 anos de diferença.
McCain, 71 anos, já usou a sua mãe de 95 para calar os críticos que o acham demasiado velho (Reagan, aos 69 anos, foi o mais velho candidato a ser eleito Presidente dos EUA). Um dos argumentos fortes de McCain é a sua longa experiência, quer no Exército (mais de 20 anos), quer no Congresso e no Senado (25 anos).
Obama, 46 anos, ouve com frequência que o seu handicap é a falta de experiência nos corredores de Washington (oito anos no Senado do seu estado, Illinois, quatro anos no Senado em D.C.), mas contra-argumenta com a mensagem de frescura e esperança na mudança. Se Obama fosse eleito Presidente não quebraria recordes de idade (o mais jovem eleito foi JFK aos 43 anos) mas comparado com JFK, Obama tem menos tempo de experiência política.
Noutras eleições já houve candidatos com diferenças de mais de 20 anos (Clinton e Bob Dole em 1996, Clinton e Bush pai em 1992). Mas num eventual duelo McCain vs Obama, seria também interessante o facto de nenhum pertencer à geração baby boomer (de Bill Clinton e George W. Bush).

Nenhuma revolução no Maine

Confesso que às vezes me comovem os apoiantes de Ron Paul, o candidato libertário que é contra a guerra do Iraque e a favor da extinção de quase todos os departamentos do governo federal e que de cada vez que aparece em público é como se tivesse entornado no fato o pequeno-almoço, almoço e jantar (esta é uma observação original de um jornalista inglês meu amigo, mas que eu também já constatei). Os seguidores de Ron Paul estão por todo o lado e são muito diferentes de todas as outras pessoas que se envolvem nas campanhas: há neles uma genuína inocência e liberdade, uma dedicação à causa que chega a impressionar, e que é tão extraordinária quanto a sua consciência de que o seu candidato não tem a mínima viabilidade nesta corrida eleitoral. Conheci um no Iowa que recusou um novo emprego porque o ia impedir de prosseguir na campanha. "Até era um bom emprego", disse-me, "mas tenho a certeza que não era o único no mundo". Outro, no New Hampshire, tocava guitarra numa esquina e interrompia para distribuir edições liliputianas da Constituição, que a campanha lhe tinha dado e que ele trazia às dezenas nos bolsos. Era professor de música numa escola do Indiana e nunca se queixava da neve, do vento e do frio — eu passava por ele todos os dias no regresso ao hotel e no princípio até pensei que aquele sorriso era meio atolambado (percebi depois que não, era mesmo uma simpatia). E só por isso até estava a torcer para Ron Paul ganhar os caucus republicanos deste fim-de-semana no Maine, como ainda se chegou a pensar ser possível. Mas, decididamente, este mundo já não está para revoluções. Afinal, quem ganhou foi Mitt Romney.

Super Tuesday - Faltam 3 dias

Está difícil ver televisão: a escolha está reduzida a jogos de basquetebol universitário ou o campeonato nacional de patinagem no gelo; filmes com sotaque britânico como "Sliding Doors" e "Notting Hill"; episódios do "Friends" e do "Everybody loves Raymond", concursos de cozinheiros ou designers de moda e a enésima retransmissão do debate democrata da Califórnia da CNN. Tudo requentado, a não ser os anúncios de quase todos os candidatos que de repente começaram a passar. Vi dois diferentes de John McCain (nos dois aparece ao lado de Ronald Reagan), dois de Barack Obama, um de Hillary Clinton sobre a economia e um de Mike Huckabee. Aqui em Washington só se vota no dia 12 de Fevereiro, mas para quase metade do país este fim de semana é decisivo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Super Tuesday - Faltam 4 dias

Animem-se os adeptos das teorias da conspiração: parece que pode haver problemas com as máquinas de voto pelo menos em seis dos estados que vão a votos no próximo dia 5.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

"Barocket", a Obamamania do ciberespaço

Só de manhã, ouvi umas cinco ou seis vezes a inefável Obama Girl, uma moça chamada Amber Lee Ettinger que nunca conseguiu ser reconhecida como ambicionava com a sua carreira de modelo e actriz mas que do dia para a noite se tornou uma celebridade graças ao video-sensação "I got a crush on Obama". Acho que não houve uma única estação nacional que não tivesse convidado a menina para falar sobre a sua última produção para o YouTube, em que aparece já promovida à categoria de Super Obama Girl, sexy e sorridente eliminando a soco e pontapé todos os concorrentes do seu candidato: Hillary e Bill, McCain e a mãe (uma senhora de 95 anos), Huckabee e Chuck Norris... Não admira, por isso, que umas horas depois do video ter sido distribuído, já tivesse sido visto por mais de 500 mil pessoas. Mérito do talento da Obama Girl ou mais uma manifestação da Obamamania?
No ciberespaço, o fenómeno dá pelo nome de "Barocket" e refere-se à presença avassaladora do candidato democrata na internet. A popularidade de Obama online pode medir-se por exemplo pelas mais de 325 mil pessoas que já se associaram à sua página Facebook, ou os quase 250 mil que são seus amigos através do MySpace. Ou pela quantidade de pessoas que foram espreitar o YouBama, um website inspirado no YouTube que transmite videos onde os apoiantes de Obama explicam as razões porque gostam do senador (o mais visto: a entrevista do actor George Clooney ao renomado entrevistador americano Charlie Rose e em que este diz que Obama é o melhor candidato que já viu).
O YouBama foi criado por dois estudantes da Universidade de Stanford, na Califórnia, Chris Pedegral e Erik Park, que garantiram que o seu objectivo não é ganhar dinheiro mas sim "fazer parte do movimento" -- tal como Craig Newmark, inventor da imprescindível Craigslist e um dos milionários instantâneos da internet, e que também é apoiante de Obama.

Intervalo publicitário

O Vítor Gonçalves, correspondente da RTP, também escreve sobre as eleições na América. Passem por .

A escolha dos democratas

A quatro dias da "super-terça-feira", as corridas às nomeações democrata e republicana simplificaram-se a escolhas binárias: Hillary/Obama, McCain/Romney.

Bom, na verdade não é bem assim. Mike Huckabee prossegue a sua campanha, tal como Ron Paul; é altamente improvável que qualquer deles consiga intrometer-se na luta pela nomeação republicana, mas ambos continuam a ser opções válidas para os eleitores da "super-terça-feira".

Do lado democrata, com a desistência de John Edwards, é que a eleição passou a ser um combate a dois.

Ambos os candidatos têm forças e fraquezas. As diferenças entre ambos estão mais em questões de estilo e personalidade que de ideologia. Ambos vêm de áreas políticas semelhantes (são democratas moderados); há diferenças ideológicas e programáticas importantes entre Hillary e Obama, mas a campanha eleitoral e até os confrontos entre os dois candidatos têm-se centrado mais em questões de feitio, carisma, carácter, "elegibilidade".

Tendo isto em conta, eis uma sumaríssima lista de "prós e contras" dos dois candidatos que restam na corrida democrata, com dois "prós" e dois "contras" de cada um:


Barack Obama














Prós:

*Mais do que Hillary Clinton, representaria um corte com o passado e uma mudança radical na política americana

*É um homem carismático e um orador eloquente, com uma poderosa mensagem de esperança

Contras:

*Ainda se sabe relativamente pouco sobre ele; o seu passado pode tornar-se numa vulnerabilidade na fase final da campanha

*Para lidar com o Congresso americano, um ataque terrorista ou uma nova crise no Médio Oriente, vai ser preciso mais que uma mensagem de esperança

Hillary Clinton












Prós:

*Mesmo os seus adversários lhe reconhecem uma inesgotável capacidade intelectual e um enorme domínio dos "dossiers" políticos

*Conhece muito bem os meios políticos americanos, e tem laços pessoais, directos ou (via Bill Clinton) indirectos com inúmeros estadistas mundiais

Contras:

*Não encarna a "mudança" tão bem como Obama; alguns eleitores não irão querer 24 (ou 28) anos de Bush-Clinton-Bush-Clinton

*É odiada de morte por várias facções da direita americana; ao contrário de outros candidatos, com Hillary na presidência não haveria um "período de lua de mel" - a guerra aberta contra a Casa Branca começaria no instante que fosse eleita


Bem, esta lista de prós e contras é muito, muito simplificada e poderia estender-se muito mais. Sugestões?

Super Tuesday - faltam 5 dias

Fui assistir ao debate democrata neste restaurante, que é também uma livraria e que é, na gíria americana, provavelmente dos lugares mais "progressistas" de Washington DC. Descobri, ao chegar, que na próxima terça-feira o espaço será ocupado com uma espécie de festa had-oc da candidatura de Barack Obama -- e por isso antecipei que a clientela que enchia a sala-de-jantar voltada para a tela gigante onde passava o debate se animasse a cada palavra do senador do Illinois. E a mesa que acolhia o grupo maior — e que a certa altura já era uma espécie de arca de Noé onde cabia mais uma cadeira, mais um amigo, mais um computador, mais duas garrafas de vinho, num constante desafio aos dotes malabaristas dos empregados de mesa — rebentou em aplausos assim que Obama entrou em palco.
O meu plano parecia ligeiramente gorado, mas nada disso, a malta "sofisticada" do Busboys and Poets dedicou, sem reservas, exactamente a mesma atenção aos dois candidatos.
Para minha surpresa, as primeiras reacções de agrado foram mesmo dirigidas a Hillary Clinton, que viu o debate arrancar com perguntas sobre a saúde e a pertinência (ou não) de um plano de cobertura universal da população, o tema em que, aparentemente, leva mais vantagem do que Obama. Como sempre acontece, a senadora de Nova Iorque foi exaustiva nas suas explicações, quase pedagógica. Obama, que tem sido acusado de muita eloquência mas pouca substância, deu logo o sinal de que estava ali para se bater com as armas da adversária, desfiando números e esmiuçando propostas -- mas esse primeiro "round", uns longuíssimos 35 minutos, foi ganho aos pontos por Clinton.
Na mesa ao lado da minha, um "blogger" comentava o debate em tempo real. Só se levantava nos intervalos, e no primeiro lá foi ele até à mesa mais barulhenta, a que ocupava o centro da sala e o centro das atenções e que, do ponto de vista jornalístico, parecia ser a que tinha mais "história": afinal, agora estavam a bater mais palmas a Clinton. Antes da primeira interrupção a senadora parecia estar a aguentar-se melhor. Falou bastante mais tempo (ficou contudo a sensação de que a CNN lhe deu mais oportunidades de resposta), foi muito específica e segura e deu brilhantemente a volta à provocação de um telespectador, que notou que sempre que se votava para a presidência dos Estados Unidos se tinha que escolher ou um Clinton ou um Bush. "Foi preciso um Clinton para consertar a trapalhada de um Bush", reparou, num argumento arriscado e corajoso, que fez rir a plateia e só não a prejudicou porque Obama não teve hipótese de replicar.
Os comensais começavam a perder-se nas suas próprias conversas, como se concordando implicitamente que o espectáculo estava a ser bem mais aborrecido do que se esperava. Nada de emoção, de facas ou luvas ou outros adereços que costumam simbolizar o combate político. Tudo muito civilizado e cordato (estratégia, claro, mas depois do pão a malta queria o circo). Assim sendo, a plateia mantém-se serena e reserva os vivas para a diabolização dos republicanos. Ou então para o concurso "vamos-ver-quem-reconhece-mais-actores-de-
Hollywood-na-plateia". Será possível que esta gente tenha cativos no Kodak Theater?
Os espíritos animam-se quando o debate se volta para a discussão do Iraque. Agora é o momento de Barack Obama e ele não desperdiça a oportunidade. Duas frases que outra vez empolgam o povo da mesa grande: que está preparado para liderar sem errar no primeiro dia, e que não basta corrigir a estratégia para o fim da aventura iraquiana, há que mudar o quadro mental que leva a situações de guerra. Nesse ponto a sala inteira aplaude -- este "round" pertence indiscutivelmente a Obama, quase por KO.
Por isso no fim foi difícil perceber se as quase duas horas de discussão teriam importado ao ponto de fazer alguém mudar de ideia. Alguém ganhou o debate? Boa pergunta. Se calhar, o balanço da noite podia fazer-se com uma fórmula que não fugia muito disto: quem queria que Clinton fosse declarada vencedora, tinha argumentos para dizer que foi Clinton que ganhou; quem queria que Obama fosse declarado vencedor, tinha argumentos para dizer que foi Obama. Quem gostava de Hillary antes, não tinha porque não gostar depois. E quem antes batia palmas a Obama, continuava a bater palmas depois. À saída olho à volta e não há provas de gulodice nos restos deixados ao abandono na sala rapidamente deserta -- quase ninguém ficou para a sobremesa.