segunda-feira, 30 de junho de 2008

Reportagem

Interessante a reportagem no Washington Post sobre a boa gente do Ohio que está absolutamente convencida que Barack Obama "nasceu em África e é possivelmente um muçulmano gay que se recusa a recitar o Pledge of Allegiance" -- e a dificuldade daqueles que sabem que o senador do Illinois "nasceu no Havai, é cristão e um homem de família e tem uma longa história de serviço público" em escolher entre os factos e a ficção.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Unidade?

- Women for Fair Politics; uma "organização de reacção ao terrível tratamento que Hillary Clinton recebeu durante a sua histórica campanha pela nomeação democrata à presidência dos Estados Unidos":

"The Democrats have decided to stage a “Unity” rally in in a town called Unity on Friday attempting to unite Hillary Clinton supporters with Barack Obama supporters. Well, Hillary must do what she has to do. Hillary supporters must do what we have to do. Unity? No. Not this year.

Unity? No. Not this year. The Democratic party has blown it for 2008. The Democratic party must be held accountable for their failure to denounce the rampant sexism, classism, racism and voter disenfranchisement continually interjected into this campaign by Barack Obama, his campaign and supporters. In fact, the DNC is complicit in disenfranchising voters in Michigan and Florida. Is this the same party that demanded that every vote be counted in 2000 and 2004? Unity? No. Not this year."


- DONE (Democrats Over Nominating Elitists); um "projecto que apela ao partido Democrata que se organize em torno da ideia de patriotismo e não partidarismo e se assuma por causa dos seus princípios imutáveis e não das personalidades efémeras":

"I was a Democrat and switched to Independent. I wanted Hillary, and after everything I witnessed and learned throughout this primary season: There is NO WAY I would ever vote for Obama. Hillary or McCain. Never Obama."


- Just Say No Deal; uma "coligação de milhões com uma coisa em comum - Nobama":

"Obama's 7 Habits of a Highly Defective Liberal
1 Most liberal voting record in US Senate
2 Extreme radical ties
3 Soft on national security
4 Ambitious deceptive flip-flopper
5 Sleazy financial hypocricy
6 Accomplished nothing as a leader
7 Divisive empty rhetoric"

Fato e gravata


Esta manhã, Hillary Clinton e Barack Obama, a caminho de Unity, New Hampshire, para o primeiro comício conjunto pós-primárias.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

As armas e a campanha

Sobre a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos sobre o direito fundamental dos indivíduos a possuir e usar armas de fogo --

* e a campanha de John McCain -

"Are guns the keys to the kingdom for McCain? Judging by the rapidity of the RNC's reaction to DC v. Heller, the craftmanship of McCain's statement and the sudden appearance of McCain surrogates on the cable networks, the answer is: he thinks [so].", Marc Ambinder

* e a ambiguidade de Barack Obama -

"Some disappointing legal positioning from the Obama campaign in the past few days, as Obama put out a statement disagreeing with a 5-4 decision on the Supreme Court's decision to bar the execution of child rapists (if Obama's position were adopted, it would be the first time since the 60s that criminals have been put to death for crimes that don't include murder) and his campaign flipped its position on the constitutionality of the DC handgun ban (were they once said Obama believed the ban unconstitutional, now they say he has no position on it).
As it happens, I actually don't have a position on the constitutionality of the DC gun ban, don't much care about Obamas position on it. He's going to get hit for opportunism, but this is more the campaign being inartful than illiberal. At the same time, thought it's not hard to see why Obama would want to take a maximally punitive stance against child rapists, he's placing himself on the right of Breyer, Stevens, Ginsberg, Souter, and Kennedy and fighting their attempts to rollback capital punishment.", Ezra Klein


p.s. - Já agora, aqui fica a Factbox sobre as posições dos dois candidatos relativamente à posse de armas

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Porque corre Ralph Nader

O candidato explica porquê, no Washington Post.

DC em Hollywood

Ainda não tínhamos tido oportunidade para lincar a "Variety", até que Barack Obama foi ao Dorothy Chandler Pavilion de Los Angeles arrecadar mais cinco milhões de dólares para a sua campanha.

A dívida *

Hoje pela manhã, na caixa do correio:

"Dear Xxxx,

I made a promise to you, and I intend to keep it.

I told you that if you stood up for me, I would always stand up for you. You did more for me than I could have ever imagined, and I'm going to keep my end of the bargain and keep fighting for what we believe in -- in the Senate and on the campaign trail, helping to elect a new Democratic president and a bigger Democratic majority in Congress.

That relationship will endure thanks to the remarkable journey you and I have shared. But there's something else -- less endearing and I hope less enduring -- that our campaign has left behind: our substantial campaign debt.

I'm so grateful for all you've done for me -- all the ways you have given your time, energy, and financial resources. But today I am asking once again for your help ridding our campaign of debt so we can keep fighting together.

Contribute today to help us reduce our campaign debt.

As you know, I had to loan money to my campaign at critical moments. I'm not asking for anyone's help to pay that back. That was my investment and my commitment because I believe so deeply in our cause.

But I do need your help paying the debts we accrued to others over the course of this campaign. We put everything we had into winning this race, and we came just about as close as you can.

I will never regret the energy, effort, and passion we put into one of the closest and most expensive primary contests in history. But I need your help to move on to the next phase of our journey together.

Your contribution today will help us pay down our campaign debt.

You've done so much for me over the past 17 months, and I can never thank you enough. But I hope you know how much I appreciate everything you put into our campaign.

Sincerely,

Hillary Rodham Clinton

P.S. Everywhere I go, people tell me what a big difference our campaign has made in their lives. Let's keep working together throughout 2008 and beyond to advance the causes we believe in and to advocate alongside people whose voices need to be heard."


* A campanha de Hillary Clinton terminou com uma dívida de 22 milhões de dólares, que Barack Obama poderá ajudar a pagar.

terça-feira, 24 de junho de 2008

She's back

Hillary Clinton está de volta:

- ao Senado;

- à campanha;

- ao New Hampshire;

- à vanguarda da política norte-americana.

ops!

John McCainn, Charlie Black

Um dos assessores políticos de John McCainn, Charlie Black, meteu os pés pelas mãos numa conversa com o jornalista da revista Fortune David Whitford. Para Black, uma novo grande ataque contra o território norte-americano seria "certamente uma grande vantagem" para o candidato republicano à presidência dos EUA. McCainn deve ter puxado as orelhas a Black e este apressou-se a pedir desculpa pelo deslize.

O artigo da Fortune está aqui.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O selo


Foi na sexta-feira ao fim da tarde que me chamaram a atenção para "o selo". Confesso que me tinha passado completamente desapercebido. Quando mo descreveram, achei a ideia tão estapafúrdia que corri para o computador em busca da troça dos bloggers e outros comentadores -- tinha a certeza que não iam deixar escapar a oportunidade. E vejam só algumas das coisas que eles escreveram: "The Great Seal of Obamaland?" (The New York Times); "The Audacity of Hype" (ABC News); "An Awfully Presidential Logo" (Boston Globe); "Barack Obama for Graphic Designer in Chief" (Mother Jones); "All He Needs Now is Votes" (Los Angeles Times)...
Não quero apostar — afinal, isto é a América — mas a minha previsão é que o selo não vai durar muito.
act.: parece que não vai durar mesmo...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Diz-me onde vais

O Christian Science Monitor analisa os itinerários dos dois candidatos presidenciais e conclui, entre outras coisas, que: 1) John McCain efectua muito mais paragens do que Barack Obama; 2) Barack Obama é mais diverso nas suas acções de campanha; 3) o candidato republicano ainda precisa de convencer o eleitorado dos estados tradicionalmente conservadores; 4) o candidato democrata está a investir mais esforços nos chamados "battleground states", que teoricamente podem cair para um ou outro lado.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Obama rejeita financiamento público

Previsivelmente, o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, decidiu abdicar do financiamento público da campanha eleitoral. Durante a época das primárias, a máquina angariadora do senador do Illinois foi a maior surpresa e (porventura) a principal responsável pelo sucesso da sua candidatura: no fulcral mês de Fevereiro, Obama conseguiu arrecador mais de um milhões de dólares em contribuições por dia.
A decisão teve imediatas repercussões políticas, uma vez que o senador do Illinois tinha anteriormente manifestado a sua intenção de respeitar as regras . Segundo esse sistema, Obama teria direito a usar 85 milhões de dólares na sua campanha. Mas pelas contas da candidatura, se os doadores que já constam na sua base de dados voltarem a contribuir, o senador pode contar com mais de 300 milhões de dólares -- uma vantagem impressionante sobre o seu avdersário republicano John McCain, cuja capacidade de atracção de financiamento está francamente abaixo das expectativas.

p.s. - Entretanto, e com um dia de atraso, aqui fica a estratégia da campanha Obama para cativar o eleitorado feminino -- não houve quem não gostasse de ver Michelle no "The View"...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vai um golinho?


terça-feira, 17 de junho de 2008

Flip-flop

O Financial Times lembra que, tal como John Kerry era a favor da guerra do Iraque antes de ser contra, também John McCain era a favor da moratória na exploração das reservas petrolíferas americanas antes de ser contra. Mudar de opinião é o maior risco político numa campanha eleitoral (mesmo quando o galão de gasolina já custa mais de quatro dólares).

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Al Gore

Al Gore em Detroit, Michigan, para anunciar que vai começar a trabalhar para a candidatura de Barack Obama.

Dia do Pai

O discurso de domingo de Barack Obama, a propósito do Dia do Pai, é música para os ouvidos dos eleitores "bitter and angry" -- e seguramente também para alguns conservadores que ainda não estão convencidos com John McCain. "Há um vazio no nosso coração se não temos uma figura masculina em casa para nos guiar e nos inspirar e servir de bom exemplo para nós".

Recordações

O Photo Album de Hillary é um agradecimento em forma de pedido -- a candidatura só termina quando estiverem resolvidas as dívidas.

John McCain e a política externa

Artigo interessante de James Mann, autor do livro "Rise of the Vulcans: The History of Bush's War Cabinet", a propósito das dificuldades da candidatura de John McCain para gerir as duas facções idealista (Lieberman) e pragmática (Armitage) que o aconselham.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A campanha não será a mesma

Sem Tim Russert, um dos melhores jornalistas e comentadores políticos da televisão norte-americana. O veterano apresentador do "Meet the Press", de 58 anos, morreu esta tarde, no seu gabinete, enquanto preparava o programa do próximo domingo.

Escrutínio

Ainda bem que há sempre alguém com atenção. Até nisto estas eleições têm sido diferentes -- já houve dezenas de vezes em que os jornalistas se desculparam publicamente pelas asneiras que disseram.

Eavesdropping *

Ouvido na Rua 17 de Washington, o epicentro das celebrações do Capital Pride Festival, que decorre este fim-de-semana:

"Ainda bem que vem aí a gay parade... Isto anda tão aborrecido sem Hillary Clinton na campanha..."


* hábito de escutar atrás das portas

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ron Paul suspende campanha

O candidato libertário, Ron Paul, garantiu que a festa que prometeu para Minneapolis não vai ser desmarcada -- isto apesar da sua campanha presidencial, à boleia do Partido Republicano, terminar hoje.

ps - O apoio formal a John McCain está fora de questão, acrescenta o congressista do Texas.

Website

A campanha de Barack Obama tem um novo website destinado a desmentir os boatos, corrigir a desinformação e reafirmar as credenciais do senador do Illinois enquanto patriota fervoroso e cristão comprometido. Ah, e também defende a mulher do candidato, Michelle Obama, o que convenhamos só fica bem.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Gestão da crise

A campanha de Barack Obama aprendeu a lição com o "caso" Jeremiah Wright: quando uma notícia tem o potencial para se tornar incómoda, há que cortar o mal pela raíz. Por isso, quando o Wall Street Journal publicou uma peça dando conta do tratamento preferencial obtido por James Johnson, o antigo presidente da Fannie Mae e o líder do comité de trabalho que a candidatura de Obama criou para lidar com a busca do vice-presidente, não sobrou outra alternativa que não a demissão. Ponto final.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pão com manteiga

Nas próximas duas semanas, só vamos ouvir Barack Obama e John McCain falar do preço da gasolina, da crise imobiliária, dos impostos, do controlo orçamental, do emprego, da globalização, da saúde, da energia e da segurança social. A economia é o tema principal da campanha a sério.

Reacção

Era inevitável que a popularidade de Obama junto do eleitorado democrata crescesse depois da saída de Hillary Clinton da corrida: o contador diário da Gallup registou uma reacção imediata, com o senador do Illinois (48 por cento) a gozar agora da maior vantagem de sempre contra o seu adversário republicano John McCain (41 por cento).

Herói

O ex-governador do Arkansas e antigo candidato à nomeação republicana, Mike Huckabee, festejado como um verdadeiro herói americano por ter executado a manobra de Heimlich que salvou a vida ao seu correlegionário Robert Pittenger, que se engasgou durante o pequeno-almoço de uma convenção do partido na Carolina do Norte.
Maravilhosa declaração de uma das testemunhas: "Estou muito feliz que o Mike estivesse no lugar certo na hora certa e não hesitasse em liderar pelo exemplo. Todos nós sabíamos que ele era a favor da vida [Pro-Life] e mais uma vez teve oportunidade de o demonstrar", disse o antigo vice-governador da Carolina do Sul, Mike Campbell.

sábado, 7 de junho de 2008

Despedida

Hillary Clinton suspende formalmente a candidatura e apoia Barack Obama. Como o fez, aqui. Ou aqui.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Museu da Arquitectura

A campanha de Hillary Clinton termina num dos mais belos edifícios de Washington DC, o National Building Museum. O website do museu notificava hoje que amanhã não haverá visitas por causa de um "evento especial". Os interessados não devem desanimar, antes planear para o dia seguinte uma passagem pela excelente retrospectiva do arquitecto finlandês Eero Saarinen, autor entre outras obras do discreto e depuradíssimo terminal do aeroporto internacional de Dulles, que serve a capital norte-americana.

O encontro

Washington DC, interior, noite: Numa requintada sala de estar de uma mansão vitoriana, uma mulher na casa dos 50 anos, bem cuidada e discreta, rearruma a mobília, posicionando dois cadeirões frente a frente e cuidando que há um copo de água junto de cada um. Há uma música indistinta ao fundo, que pára assim que se ouve a campaínha. Dois convidados entram; depois da porta fechada um grupo de homens sérios, fato e auscultador enviado no ouvido, posicionam-se na entrada. A anfitriã acompanha os hóspedes até à sala, deixa-os sozinhos depois de poucas palavras, sobe ao andar de cima, para onde já enviara os dois acompanhantes que apareceram com os seus convidados. Uma hora mais tarde, o encontro termina -- a dona da casa desce para uns curtos cumprimentos. "Sim, correu muito bem", dizem-lhe.

Hillary Clinton e Barack Obama, ontem à noite, em casa da senadora da Califórnia Dianne Feinstein. Se não foi exactamente assim, foi muito parecido.